Correio Braziliense - 06/12/2010
Apesar da facilidade de acesso ao crédito e dos incentivos do governo, realizar o sonho do primeiro imóvel requer planejamento
A administradora Josilene Alcântara vai começar o ano de casa nova. Ela vai realizar o sonho de mudar para o apartamento que financiou há dois anos, na cidade de Águas Claras, no próximo mês. Josilene, o marido e os dois filhos já aguardam ansiosos pela unidade de quatro quartos com suítes, distribuídos num imóvel com 140 metros quadrados e ampla área de lazer.
Para conseguir comprar a casa própria, a administradora percorreu um longo caminho que exigiu economia, persistência e pesquisa. Josilene conta que até encontrar o apartamento desejado analisou diversos lançamentos e plantas de imóveis. “Sempre procurava verificar a planta da unidade para ver ser era do jeito que procurava. Queria uma casa com u ma cozinha planejada”, explica.
Depois de encontrar o imóvel dos sonhos, Josilene passou a ter uma segunda preocupação: conciliar o aluguel com as prestações da casa própria. “Negociei com a empresa as condições de pagamento, levando em conta que tinha outras despesas como aluguel, condomínio, despesas com os meus filhos. Chegamos a um consenso e há dois anos financio o apartamento”, conta.
A história da administradora se repete com facilidade na capital federal o desejo de realizar o sonho da casa própria, mas, tendo que continuar a pagar aluguel. Essa conciliação para os brasilienses exige dedicação e planejamento, ao considerar a grande valorização do setor.
Para Pedro Fernandes, diretor comercial de uma administradora de imóveis, apesar da facilidade do acesso ao crédito, os imóveis da capital federal refletem a escassez de espaços para construir novos empreendimentos. “Brasília tem pouca oferta de terrenos para construir casas. Quando a Terracap anuncia uma licitação de um terreno é uma disputa muito grande entre as empresas”, explica Fernandes. Ele acrescenta que, sem lugar para construir, a oferta de unidades habitacionais para morar cai e aumenta a demanda da população por imóveis, o que torna o preço do metro quadrado mais caro.
Fabrício Garzon, diretor de uma imobiliária, corrobora a afirmativa de que existem poucos terrenos para se construir. “O mercado está mais competitivo em razão da falta de espaços para se construir, sobretudo na região do Plano Piloto”, diz. Ele ressalta, contudo, que essa valorização expressiva do metro quadrado não ocorre apenas aqui. Em outras capitais do país, como São Paulo e Rio, o preço do imóvel também é alto pelos mesmos motivos. “A procura por imóveis nessas regiões urbanas só tem a aumentar”, finaliza.
Estudo divulgado em agosto pela Econsult, empresa de consultoria da Universidade d e Brasília (UnB), apresentou o primeiro retrato detalhado do mercado imobiliário do Distrito Federal. A pesquisa analisou 380 ofertas de imóveis residenciais, que incluem tanto casas como apartamentos, referentes ao mês de junho último. O relatório da Econsult, divulgado pelo Sindicato da Habitação aponta que o preço do metro quadrado na Asa Norte pode custar até R$ 9 mil. As unidades do Sudoeste apresentaram preço médio de R$ 8 mil o metro quadrado e a Asa Sul, R$ 7 mil.