O ano de 2010 vem sendo considerado o melhor na indústria da construção civil em todos os temos e, por consequência, de todo o segmento imobiliário em todas as suas pontas, que se beneficiaram da estabilidade econômica, do aumento de emprego e renda, além das boas políticas públicas para o setor, dentre as quais destaca-se o programa habitacional do governo, Minha Casa, Minha Vida, que reintroduziu a importância de uma política habitacional voltada para as classes menos favorecidas.
Para falar sobre os resultados obtido pelo setor em 2010, tanto em nível nacional, quanto local, bem como projetar as perspectivas para o setor em 2011, principalmente face à posse dos governos federal e do DF, bem como a manutenção das políticas para o segmento, a Revista Wimóveis convidou expoentes do nosso mercado para procederem a uma análise sobre o nosso atual momento e do futuro próximo. As perguntas enviadas pela nossa reportagem foram as seguintes:
Como o senhor avalia os resultados apresentados ao longo do ano de 2010 pelo mercado imobiliário tanto em nível nacional, quanto no âmbito do Distrito Federal? O que de mais importante aconteceu no mercado imobiliário do DF em 2010?
Face aos bons resultados apresentados pelo mercado imobiliário em 2010 e as expectativas em reação à posse da nova presidente e a manutenção das políticas do governo para o setor, quais são as suas perspectivas para o mercado em 2011?
Confira abaixo as repostas:
Hermes Alcântara, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região - CRECI/DF
Nunca foi tão fácil comprar a casa própria como está sendo agora. O Programa Minha Casa, Minha Vida está dando uma oportunidade de ouro para as pessoas de baixa renda, que podem adquirir casas ou apartamentos com prestações de até 360 meses e juros bem mais baixos que o normal. Com isso, o déficit habitacional foi reduzido em todo o Brasil, e agora mais pessoas têm a casa própria. Apesar da crescente oferta, o valor de mercado dos imóveis no DF tem crescido, em média, 20% ao ano, o que caracteriza não só a realização do sonho da casa própria, mas também um ótimo investimento. Somando tudo isso o DF conquistou o posto de segundo maior mercado imobiliário do DF. Nossa região é a detentora do maior índice de valorização e vendas de imóveis do país.
Nosso Departamento de Fiscalização também foi considerado o segundo melhor do Brasil. Encaramos com seriedade a atuação de contraventores no DF, justamente porque reconhecemos a importância que tem o corretor de imóveis para garantir a segurança da sociedade, no âmbito imobiliário.
E na nossa gestão valorizamos o corretor de imóveis, este profissional que é o realizador do sonho da casa própria de milhares de famílias. Fizemos diversas campanhas em mídia televisiva e de rádio, orientando a sociedade quanto à atuação legal do corretor de imóveis e dos contraventores, que vendem imóveis ilegalmente. Realizamos a maior festa de comemoração do Brasil, em homenagem ao Dia do Corretor de Imóveis, o "Prêmio Colibri, O Oscar do Corretor de Imóveis", evento em que premiamos os melhores corretores de imóveis, indicados pelas imobiliárias. Firmamos também vários convênios educacionais, esportivos e de lazer, enfim, são inúmeras as conquistas em prol da nossa categoria, que já bateu o recorde de 16.000 inscritos.
A copa Mundial de 2014 já está surtindo efeitos no DF. Muitos investimentos serão feitos no mercado imobiliário, a partir de 2011, em construção de mais habitações e novos prédios residenciais e comerciais. Tudo indica que bateremos novamente nossos recordes em números de vendas de imóveis e de registros de novos profissionais e imobiliárias para atender a demanda. E, como um bom corretor de imóveis, que não para de trabalhar, iremos continuar conquistando mais vantagens para a categoria, como meio de facilitar a atuação legal deste profissional.
Daniel Humberto – Diretor – Coelho da Fonseca
O ano de 2010 foi marcante não só para o mercado imobiliário, mas também para nossa capital Brasília. Ano em que comemoramos 50 anos. Para nós foi marcante, além disso, o fato de ser o ano em que a Coelho da Fonseca entrou no mercado de Brasília.
Passados 50 anos, Brasília se consolida como 2° cidade no ranking imobiliário nacional, e vários fatores foram significantes para esse feito. Hoje, cerca de 60% da massa salarial compõem-se de funcionários públicos, os quais são imunes às crises econômicas e salariais, sem contar o alto poder aquisitivo da população - acima da média nacional - e a estabilidade econômica e financeira. Outro fator a se considerar é que Brasília é classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o que, supostamente, dificulta a atividade imobiliária ao impor inúmeros limites e regras de ocupação.
Esses fatores potencializaram a entrada de empresas nacionais e internacionais em nossa cidade, e mais interessante ainda é a consolidação dos diversos nichos do mercado imobiliário, como, por exemplo, Águas Claras, Samambaia, Ceilândia, Gama, Valparaíso, Setor Noroeste, dentre outros. Isso faz com que encerremos o ano de 2010 satisfeitos e confiantes, na certeza de que Brasília é uma cidade onde é totalmente seguro investir em imóveis, por conta de sua demanda reprimida por imóveis residenciais e, consequentemente, comerciais.
Para 2011 pretendemos intensificar os investimentos em novas sedes e ferramentas de trabalho que venham fidelizar não somente nossos corretores, mas também nossos clientes e investidores. Investiremos também na consolidação da marca Coelho da Fonseca, a fim de nos posicionarmos a cada dia como uma imobiliária full service, com atuação em todas as áreas do mercado imobiliário.
Em termos nacionais, os relatórios econômicos confirmam o ótimo momento pelo qual passa o financiamento imobiliário com redução de taxas de juros, aumentos de prazos de financiamento, maior concorrência entre os agentes financeiros, consolidação da alienação fiduciária. Deixam claro que a estabilidade econômica foi fundamental para o crescimento sustentado do mercado, pois a população se sentiu mais segura em decidir pela aquisição do imóvel, com opção de financiamento bancário. Isso se deve aos baixos índices de desemprego, ao crescimento da massa salarial e da renda real e de outros fatores macroeconômicos.
Luiz Henrique Alvez Martinez - Brasal
Em nível nacional, sabemos que o programa "Minha Casa, Minha Vida" foi responsável por parte do sucesso na construção civil e mercado imobiliário por ser ano de eleição. No entanto, o crescimento econômico foi quem realmente alavancou de forma direta e indireta o volume de negócios tão expressivo. No Distrito Federal, o mercado cresceu pouco mais do que tem crescido a cada ano, poderia ter sido bem melhor se não tivessem havido tantos embargos, todos por falta de políticas de ocupação bem definidas, além dos graves problemas políticos que desestabilizaram o poder público local de forma significativa, fazendo com que as entidades públicas não acompanhassem, pelo menos em termos de diretrizes, o crescimento econômico desse mercado, responsável por uma geração de emprego e renda extremamente importante para o próprio desenvolvimento econômico local.
Certamente 2011 será um ano de crescimento ainda maior para o mercado imobiliário do Distrito Federal, pois a forte demanda proporcionada pela melhoria da renda foi reprimida pela escassez de opções, e tende a se estender. No que se refere aos demais estados, o mercado crescerá assim como crescerá a economia, o programa "Minha Casa, Minha Vida" terá certa contribuição em função de projetos já em andamento, no entanto tende a perder volume no decorrer do ano, acho que ele dará vez a obras de infraestrutura, que por sua vez, têm papel importante no desenvolvimento econômico, principalmente quando se pretende desenvover de forma sustentável, e equilibrada, e é o que nos parece estar em pauta. Entendo que seja obrigação de cada brasileiro ser otimista no que se refere ao futuro de nosso país, assim como é obrigação de cada brasiliense, como eu, ser otimista no que se refere ao futuro da nossa cidade.
Marco Antônio Demartini, diretor-executivo da Lopes Royal
O ano de 2010 foi de crescimento para a Lopes Royal. Foram 23 lançamentos, sendo mais de 6.200 unidades, até o mês de novembro e esperamos lançar mais 4 até o final de dezembro. Mantemos o market share de comercializar 1 a cada 3 imóveis vendidos no Distrito Federal. Para 2011, as perspectivas são positivas. Prevemos um crescimento de 50% no pipeline de lançamentos. Além disso, para 2011 estão previstas ações voltadas à capacitação dos corretores com o aperfeiçoamento da UniRoyal, uma universidade criada exclusivamente para seus corretores. A meta é ampliar e fortalecer a base de corretores em 30%. Na UniRoyal, os corretores receberão formação básica com aulas que vão desde marketing pessoal a matemática financeira. A Lopes Royal vive um momento de expansão. Este ano a loja localizada no Brasília Shopping ampliou seu espaço em 200 m². Para 2011, está prevista a abertura de um novo escritório em Águas Claras, para atender à crescente demanda do mercado. Além disso, o marketing da empresa também receberá grande atenção no próximo ano. Parcerias com grandes empreiteiras estão em processo de negociação.
Luiz Cesar, diretor da Consult Incorporações
O mercado imobiliário em 2010 foi sensacional, a maior alta (11%) desde 1986, época do Plano Cruzado. Em Brasília, sofremos uma leve queda a partir das eleições. O grande sucesso do salão Wi foi com certeza o marco de sinalização da retomada do mercado.
Acredito que 2011 será contemplado ainda com excelentes resultados, principalmente para Brasília, porém com um crescimento menor do que foi 2010, estimado em 6% do PIB. O limite e a velocidade de crescimento da indústria da construção civil dependerão diretamente da política de investimentos a ser adotada pelo novo governo, que desde já manifesta sua intenção incondicional de focar seus investimentos em infraestrutura, e isso é fundamental para a sustentabilidade do crescimento do Brasil. Quanto ao novo governo do DF, apesar de todas as dificuldades que herdará o governador Agnelo, acredito na sua competência e certamente fará com que as demandas do DF como capital sejam atendidas.
Fernando Queiroz, presidente da Via Engenharia
Em 2010 lançamos diversos projetos inovadores, com diferenciais de segurança, tecnologia e qualidade de vida, que tiveram excelente aceitação no mercado e possibilitaram que a Via crescesse e se firmasse na posição de liderança do setor como a principal construtora da região Centro-Oeste. O mercado imobiliário do Distrito Federal, no geral, mostrou-se aquecido em 2010. O principal destaque foi o Setor Noroeste, que se consolidou como a principal opção na área central de Brasília para quem busca melhoria de qualidade de vida e excelentes oportunidades de negócio, aproveitando a valorização do momento de construção do bairro. Em outras praças de atuação, como São Paulo e Rio de Janeiro, os resultados também foram positivos e todos os lançamentos foram sucesso de vendas. O ano de 2010 foi excelente para a Via Engenharia. Devemos fechar o ano com uma receita de obras e venda de imóveis de cerca de R$ 1 bilhão e um back-log de contratos e estoque de imóveis superior a R$ 4,2 bilhões.
Em 2011, o mercado imobiliário deverá continuar aquecido. A aliança entre os futuros governos distrital e federal deverá facilitar a execução de políticas públicas prioritárias, e a habitação certamente sairá beneficiada. Buscando atender diversos perfis de clientes, em 2011, a Via atuará em diversos segmentos econômicos no Distrito Federal, em locais nobres como Asa Sul, Setor Noroeste, Setor Sudoeste e Águas Claras, e em cidades-satélites, com a construção de bairros planejados, mantendo a estratégia de oferecer ao cliente os melhores empreendimentos do mercado, com diferenciais de tecnologia, segurança e qualidade de vida. O setor da construção deverá receber atenção especial para as obras de infraestrutura em virtude da Copa do Mundo e Olimpíadas, onde temos forte atuação com projetos como VLT, Estádio Nacional de Brasília e estradas em diversas regiões do Brasil.
Fonte: revista Wimoveis